sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Um Dia Qualquer: Delírio



Ensaiando o delírio da vida, enquanto surra as paredes internas da carne a face marcada explora o nada, joga sem oponente e grita com o vento querendo resposta mais absurda que a loucura, passos curtos e rápidos que saltam o espaço como se não houvesse tempo, uma linha tão frágil quanto a realidade que cerca os cercados invisíveis, de palavras vazias, cheias de pessoas cheias do vazio, anda de costa para recuperar o tempo que insiste em passar por aquilo que é material, que é corrompido pelas palavras enferrujadas e sempre as mesmas, que insistem em chamar pelas lembranças malditas do ouro dos tolos, pintando o sentimento, senti me em tu, senti medo, sorri.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Um Dia Qualquer: Lembranças de Escola



Bom resolvi escrever sobre isso, moro com minha mãe que é separada do meu pai desde que eu tinha 5 anos, ela com muito trabalho conseguiu criar eu e minha irmã, mas sempre tivemos que mudar muito de casa, pois minha mãe é professora e toda vez que conseguia uma escola para dar aula precisava ficar o mais próximo do trabalho para economizar nos gastos, por conta disso sempre tive dificuldades de construir relações de amizade nas escolas, mas na sexta série (2004) minha mãe conseguiu uma estabilidade melhor, foi quando conheci um amigo na escola e pensei que seria um laço que eu conseguiria manter, uma amizade, via varias pessoas na escola com seus melhores amigos e pessoas falando sobre amigos de infância, muitos podem começar a dizer nesse momento, viado, gay, etc, mas não, esse cara foi aquele amigo pra caralho, aquele cara que você pensa "porra consigo conversar anos com essa pessoas sem enjoar dos assuntos e piadas", o nome dele é Ruan Ximenez ( mas não sei se escreve Ruan ou Juan) ele morava só com o pai dele que era separado da mãe e mais uma irmã, infelizmente no outro ano precisei me mudar e meu único contato era seu numero salvo no celular, pois ele sempre foi contra as redes sociais, bom nessa mesma época meu celular foi furtado e perdi meu único contato com ele, depois de um tempo me mudei novamente, eu estava no primeiro colegial (2007) e descobri olhando no primeiro dia a lista da sala, que ele estava na mesma sala que eu novamente, logo corri na sala e demos muita risada, colocamos os assuntos em dia, descobri que na mesma época que eu ele também precisou se mudar e foi para o interior, quando voltou se matriculou nessa outra escola porque na anterior não tinha vaga (mesmo caso que o meu) e por acaso caímos na mesma sala, sempre estudávamos bastante, trocávamos teorias da conspiração e ocultismo, jogávamos futebol, enfim tudo que adolescentes comuns da década de 90 fizeram, ao final do primeiro ano precisei me mudar novamente, dessa vez anotei o telefone dele em uma agenda assim como de outros colegas da sala, pensei que dessa forma estaria mais segura a informação e que manteríamos contato, infelizmente nunca pensei em passar o meu número para ele, indo me mudar para nova casa a agenda na mudança acabou molhando e perdi todos meus contatos, alguns consegui achar atualmente no facebook, mas o meu único amigo de escola não, bom desde 2008 eu entro todo ano na internet e faço pesquisas tentando achar ele em alguma rede social mesmo sabendo que ele provavelmente não vai ter uma conta, como uma forma de lembrar da nossa amizade e tentar achar um grande amigo, saber sobre o caminho que ele anda e perguntar "E ai amigo como você esta?".

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Um Dia Qualquer Sobre: Doses

  

Um copo de carinho, uma ou duas taças de vinho. Um pouco que transbordou de emoção, cada um com sua moral e eu com meu coração. Não sei o que dizer, não para os outros, mas para eu mesmo. Um pouco de vergonha, porque eu não acredito que possa ser um erro algo tão verdadeiro, sinto uma leve pena de mim, porque esse mundo é tão complicado? Parece um fardo ser quem se é, pois é de se parecer que as aparências sejam mais fiéis do que os sentimentos, a verdade se vai conforme a boca se abre, engraçado como o silêncio é belo e verdadeiro, não tem herdeiro e não escolhe lados, os amados que se negam por confusão, não compreendem a amizade que também tem coração. 
  Tudo parece dividir quando deveria multiplicar, o status que te exclui, uma luz azul ao estilo retro, intensidade no sangue, desprezado sim senhor, uma lágrima escorre da pena que sinto de mim, por apenas um momento que tem que ter seu fim, compreendo e guardei de coração, lembranças são sempre lembranças, já aprendi essa lição, professor e aluno, a como a vida é, as vezes sou ator, quando percebo estou assistindo de pé, relativo não é, na verdade tudo interpretação. A leitura que se faz do mundo e a leitura que o mundo lhe faz, é só mais uma pagina de um livro fugaz, que escorre entre os dedos em um momento intermediário, cabe em um diário, de um dia sem páreo congelado no tempo, lembranças que o tempo virou, significado e sentimento se tem, mas parece que o mundo duvidou, tudo bem eu compreendo essa situação, desejo essa amizade, desejo toda boa intenção, desejo muita coisa, mas desejo de coração, não acreditaria nas palavras, mas senti a emoção, não posso duvidar, mas confuso fiquei, admito que mexeu comigo, porque me apaixonei. 
  Não estragaria tudo, nunca, me abalou e me pergunto se você consegue sentir, sei que sim, está com a mão no meu coração, me sinto melancólico à nostalgia, um copo derrubado, não devo lamentar só fui sincero. Deixe estar, acredito na sinceridade da emoção, sei que sentimos tudo isso e que nada foi em vão, sei que minhas palavras são guardadas quando são livres, sei que falei ao ar que me trouxe notícias tristes, mas também me deixou feliz. Hoje tenho o que me faz feliz, ver você sorrindo pertinho de mim, ser coberta com minha proteção que ainda que não tenha efeito, sei que fui eleito, não por você talvez nem por mim, sinto dentro da alma devir.
  Agora que estou aqui permita eu cuidar de você, curar seu coração traído e traumatizado, por parte minha e por parte desse mundo renegado, quero estar aqui como um porto seguro, quero que se sinta uma vil traição em Dom Casmurro, sei que ainda que Capitu, capitou apenas a beleza e o sentimento bom, que em nada que se tenha o bom vive sem o banal. Já que estive então deixe estar, quero assegurar o não cair, mas que vai levantar, serei a mão estendida para qualquer lado que olhar, não insubstituível, mas serei único em sua memória irreversível, não vou chorar o que do copo derramado, que ver o copo meio cheio, que ver por esse lado, quero uma música minha, o cabelo que é meu, minhas lembranças serão eternas, mesmo quando este corpo estendido ao breu, toda essa nossa vaidade se vai, mas lembranças serão eternas para nós, e aos nós que já foram desatados, recordarei um dia com certeza com candura lembranças de nossa ternura, na luz azul e a sua doçura, de um corpo meigo e uma personalidade a altura.
  Espero não ser rude em nenhuma palavra, que na minha fala não seja assim tão seca e cruel, eu tenho sentimentos nobres, ainda que não veja e talvez me considere réu, culpado e confesso, não tenho essa moral, não sou perverso, sou livre para ser quem sou, te amo com verdadeiro amor, se transbordou foi assim desse modo e não por outro, que escrevo todas essas palavras pouco a pouco, já sinto o siroco e o vinho secar,  mas meu amor transborda e tenho para doar, amizade também ama você precisa acreditar, talvez não compreenda agora por tanto o mundo te maltratar, quero ser seu bem, não quero nada pra mim, quero que seja livre enfim, se um dia em mim acreditar, peço que seja o passarinho a passarinhar, pare de cortar suas asas fingir que não sabe voar, é tão duro te ver assim, por dentro me faz chorar, você encontrou seu ninho ele não vai te abandonar, sei disso porque sinto e boa sorte tenho a desejar, derrubou um pouco hoje, amanhã meu amor a completar.



Escrito: 10/05/2016 Corrigido e Publicado: 21/12/2017.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Um Dia Qualquer Sobre: Intimidade



   No toque descubro, no vem e no vai, por cima ou por baixo, me acho, me escondo do outro, me revelo assim, me envergonho de mim, por mais excitação assim, me desejo em segredo, não conto e confronto, o outro me julga e me culpa, me chupa, gozei, não sei estou confusa, me abusa e me usa, me puxa para seu lado, me da uma amasso, orgasmo na minha boca, no meu corpo, que louco, não tem hora, não tem lugar, sexo sem ser vulgar, ou vulgar e com tesão, na minha mão, na minha cara, que coisa rara, depois a sinceridade, que pecado, cada um para o seu lado, vai entender por qual razão, ou tesão, até coração.
Ai vem a moral dita e põem certeza, diz que é a verdade que aquilo é maldade, garota interrompida, garoto castrado, mundo mal amado é esse o resultado, lar doce lado, cada um com seu fardo do pecado para curar, mas namorar não é pecado, é sinal do sonhar que também é uma arte de amar, um mundo paralelo que te deixa sem ar, ai vem à ética e te cobra estética, pessoa mais ou menos bonita, ou rica, tanto faz qual aspecto, mas tem que estar com o nível no teto, tanto faz a fama tem que também ser bom de cama, tanto faz a amizade tem que tratar com formalidade, tradição, negação e cordialidade, depois você geme se houver necessidade.
Para você que pensou depravação, sentiu também atração, não tem a coragem de admitir, para si muito menos para o outro, que só pensa no coito, não posso nem dizer coitado, perderia o significado, com o dedo molhado, ou com ele na mão, relaxa com a vida, peitos na vinda, bunda da ida, sentando ou na horizontal, qual quer cama é sutra, é mantra e é tantra, se encaixa e se acha, se descobre e se desvela, é Eros nos elos que se mostra presente, é quente, macio, ardente...

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Um Dia Qualquer Sobre: Devanear



Completamente contemplado, nem em cima e nem por baixo, no meio, mas não como você pensou, é como a água do aquário, esta permeada sobre tudo, quando faz falta, faz se sentir saudade, é tão quanto a sua realidade, que só faz falta quando se perde.  Pederneira e isqueiro, para achar o caminho mal iluminado, para não ser um pareô viver, para não se morrer, em vão, cantigas de ninar para consolar, o travesseiro ao qual não se põem mais a cabeça, porque pelo tempo, agora não para em casa, só nos lugares, de canto encanto, sim encantado, pelo vislumbre que se tem da mentira, sorri o alienado, gargalha o afogado e idolatra-se o mal intencionado, te adorno, é adorno, usei como aparato, de salto em salto, fugi, só para contar para eu mesmo que não menti e acreditei, chorei, porque sabia a verdade, liberdade. Não vai dizer que não sabia, havia muitas evidencias todas elas de carência, quando se tentava dormir, pode ter até vontade de sumir, mas o nada também se acha, ora que arrogante, te confundi? Só mais uma das minhas traquinagens, máquina, maquina e maquiagem, para iludir um pouco seduzir talvez, ser o bobo da corte de vez, não, dessa vez você e eu também rimos da piada e é recíproca e somos alegres, não estamos com febre, mas deliramos em conjunto, conjuminei e amei, agora escrevo nem tudo que é real, com palavras lúdicas, fiz você viajar e chegar até aqui, só quis no seu pensamento entrar e fazer você voar, por um caminho menos duro de trilhar, aprendeu agora e não agonia, as palavras se envolvem com sabedoria, imergiu no profundo no mar, respiramos o mesmo ar, se perdeu comigo, do que estávamos a falar?

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Um Dia Qualquer Sobre: Pobreza



Pobre Pobrício, estava lá, nem estava ai, chegou de ontem, mas sem sabia que dia era, lamentou-se “não sei entrar e nem sair”, pobre Pobrício, cansado de não fazer nada, chutava a lata e lia o gibi, estava lá amargurado, mas estava presente aqui e pobreza do Pobrício era tanta, tanta, que tinha tudo, imagine só, podia fazer tudo, mas nem sabia, quanto desperdício, “do que?” me perguntei, “do tempo” respondi, que dó do pobre Pobrício.
            Esse mundo é bem pobre, pensei, mas imagina só se a moral o dinheiro acabasse, ficariam loucos só porque poderiam tudo, nossa que poder, melhor eles continuarem sentado nos banquinhos, vai que ficam sem o chão, que dó do pobre Pobrício, nem para ficar sozinho com a pobreza, o danado não tinha paz mesmo, ainda tinha que viver em uma família enorme, brigavam por um pedaço certo do pão.
            Seria rico se não fosse certo, a não me desculpe, seria Sereia se não fosse Mágico, ah! esses ensinamentos corretos, por esses dias estava andando na certeza e cai, imagina só, ela me deixou sem chão, que pecado, eu que não seja culpado, pela pobreza do Pobrício, ele que quis assim, estava falando com ele sobre a certeza ele agarrou de primeira, nem ouviu dizer que era logo o motivo da pobreza, quem sou eu para julgar, vai que ele da azar no azar e tira uma sorte.
            Como já dizia o velho deitado, mas vale um sincero na mão que dois na moralidade, não, acho que não, ele dizia alguma coisa assim, mas falou tão baixo que quase ninguém ouviu, pobre Pobrício deve ser surdo, nem mesmo pode ouvir o que fala, imagina só um dia pede ouro e depois que descobre que estava pedindo para ser tolo... 

Um Dia Qualquer Sobre: Espelhos






Você estava lá, sorrindo, olhando,
Olhos com cores vibrantes, nebulosas
O universo através dos olhos e a extensão do todo
Era como se pudéssemos ser um eu e tu

Nostálgico sentimento de que te perdi no tempo

Mas sempre esteve ai escondido
É como o invisível que se revela
O retorno do perfeito a casa

Mas a sombra daquele que paira sobre os vales

Assombra a luz, me mostra as trevas e seu poder
Me mostra a força do caos e de toda destruição e me faz desejar

Vejo um campo, um equilíbrio das forças,

Sinto tudo que me faz poder e tudo que me faz presente
Sou aquele que contem o todo, sou a revelação, ao espelho.