sexta-feira, 22 de abril de 2016

Um Dia Qualquer Sobre: Pobreza



Pobre Pobrício, estava lá, nem estava ai, chegou de ontem, mas sem sabia que dia era, lamentou-se “não sei entrar e nem sair”, pobre Pobrício, cansado de não fazer nada, chutava a lata e lia o gibi, estava lá amargurado, mas estava presente aqui e pobreza do Pobrício era tanta, tanta, que tinha tudo, imagine só, podia fazer tudo, mas nem sabia, quanto desperdício, “do que?” me perguntei, “do tempo” respondi, que dó do pobre Pobrício.
            Esse mundo é bem pobre, pensei, mas imagina só se a moral o dinheiro acabasse, ficariam loucos só porque poderiam tudo, nossa que poder, melhor eles continuarem sentado nos banquinhos, vai que ficam sem o chão, que dó do pobre Pobrício, nem para ficar sozinho com a pobreza, o danado não tinha paz mesmo, ainda tinha que viver em uma família enorme, brigavam por um pedaço certo do pão.
            Seria rico se não fosse certo, a não me desculpe, seria Sereia se não fosse Mágico, ah! esses ensinamentos corretos, por esses dias estava andando na certeza e cai, imagina só, ela me deixou sem chão, que pecado, eu que não seja culpado, pela pobreza do Pobrício, ele que quis assim, estava falando com ele sobre a certeza ele agarrou de primeira, nem ouviu dizer que era logo o motivo da pobreza, quem sou eu para julgar, vai que ele da azar no azar e tira uma sorte.
            Como já dizia o velho deitado, mas vale um sincero na mão que dois na moralidade, não, acho que não, ele dizia alguma coisa assim, mas falou tão baixo que quase ninguém ouviu, pobre Pobrício deve ser surdo, nem mesmo pode ouvir o que fala, imagina só um dia pede ouro e depois que descobre que estava pedindo para ser tolo... 

Um Dia Qualquer Sobre: Espelhos






Você estava lá, sorrindo, olhando,
Olhos com cores vibrantes, nebulosas
O universo através dos olhos e a extensão do todo
Era como se pudéssemos ser um eu e tu

Nostálgico sentimento de que te perdi no tempo

Mas sempre esteve ai escondido
É como o invisível que se revela
O retorno do perfeito a casa

Mas a sombra daquele que paira sobre os vales

Assombra a luz, me mostra as trevas e seu poder
Me mostra a força do caos e de toda destruição e me faz desejar

Vejo um campo, um equilíbrio das forças,

Sinto tudo que me faz poder e tudo que me faz presente
Sou aquele que contem o todo, sou a revelação, ao espelho.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Um Dia Qualquer Sobre: Prelúdio a Morte



A Morte que acaba com a vida é a mesma que a guia para o futuro, aqueles que não procrastinam são assim porque com certeza sentem a vida em seus corpos, a ampulheta do tempo corrói os poucos anos de vida, as rugas se pregam no rosto e os cabelos brancos tingem a juventude, eis que esta pintada a velhice, ainda há aqueles que nem pelas rugas e nem pelos brancos fios, mas sentem-se velhos, pois a anima que os movia está deteriorada pela profanação causada pela tenebrosidade humana, são cheios de vazio e estão tão a sós que nem a identidade de si os acompanha, são criaturas inanimadas da modernidade, talvez elas pudessem se chamar de arte moderna, pois com certeza aqueles que projetaram a modernidade os tornaram esses constructos niilistas.
Que a exaltação as sensibilidades, emoções e racionalidades humanas possam ser superiores em nosso discurso do que uma fraqueza apaixonada e ignorante que só promete tortuosos caminhos, não apenas para depois da morte, mas para a vida, buscam consolar a vida e morte com ilusões que em sua maior parte só causa sofrimento e dor a aqueles que conseguem o mínimo de autoconsciência, necessitamos ainda mesmo depois de todo conhecimento obtido o “religare” o que não nos impede de cautelosamente avaliarmos quais melhores caminhos, nós por conta própria descubramos nossa realidade e aquilo que é verdadeiro a cada um, que seja por amor ou por dor, seja por si só, sem mais ele ou ela, que seja através da sua própria identidade.
Talvez ao ler até aqui pensou que talvez seja muita informação, talvez não de tempo, talvez a morte, mas assim por todos os talvez que te levam adiante, pense e faça, construa quem você deseja ser dentro da sua condição de possibilidade, encontre-se onde for possível e quando impossível imagine, quando sonhar admire quando acordar viva, nem sempre o certo é o necessário e vice-versa a cada qual tem seu papel, escreva ainda que o ele não leia, o si-mesmo o encontrara, quando se esgotar morra, mas morra com vontade.